Encontro de Gerações
Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010 | 01:24 am
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II Encontro
Testemunhos para o futuro (Maio 2003)

A semente estava lançada. Importava dar continuidade. Com perseverança, a 31 de Maio de 2003 cerca de mil portugueses vindos de toda a Venezuela reuniram-se no Centro Português de Caracas, instituição que tem aberto as portas e dado a oportunidade a quem nunca antes tinha tido contacto com as actividades da comunidade.
No segundo encontro, com o lema “Testemunhos para o Futuro”, ficamos com a certeza de que havia uma nova geração de portugueses e lusodescendentes radicados na Venezuela. Sem complexos e disponíveis para reforçar a ligação à pátria lusa, estes mostraram-se prontos a honrar os valores herdados dos seus pais e avós, para marcar a diferença.
Vontade não lhes faltava. Um “amor” e “um sentir português” que para não se perder exige mais atenção e empenho a quem governa, bem como disponibilidade de outras forças vivas para a cooperação e de alguma saudade, constata-se que por influencia dos pioneiros da diáspora, as raízes mantêm-se vivas, regadas por uma enriquecedora união de culturas, temática explorada por Arelys Goncalves, jornalista do CORREIO, que conquistou a maior ovação da noite. Esta lusodescendente teve o mérito de estabelecer a ligação entre os portugueses e os venezuelanos, com uma intervenção resumida em dois pratos: O Bacalhau e “el pabellón”.
Para o futuro, ficavam ideais novas. A da criação de uma associação cooperativa entre Portugal e Venezuela, com base na mulher madeirense e suas descendentes, através de microempresas destinadas à troca de bens e serviços com Portugal, havendo já a intenção de constituir um arquivo histórico que guarde a memória colectiva dos emigrantes radicados na Venezuela, tal como projectos de cooperação em termos agrícolas.
Ficaram também alguns reparos. Criticou-se a falta de livros e de professores de português, e sobretudo a polémica lei da nacionalidade. Albertina de Sá, educada no regime do “Deus, Pátria e Família”, considerou que só lhe restava Deus e Família, já que o governo não lhe dava a nacionalidade. Revoltada, lembrou que o apoio dos emigrantes para “o florescimento económico de Portugal” não era devidamente compensado.
De esse ano até agora, constatamos que alguns desafios não caíram em saco roto, surgindo respostas e soluções para alguns problemas. A modificação da Lei de Nacionalidade que voltou a dar Pátria lusa a quem a tinha perdido; a criação de um gabinete de apoio aos filhos de emigrantes na Universidade da Madeira; as mudanças no Consulado Geral de Caracas que incrementaram a eficácia no serviço e melhoria na atenção dispensada aos utentes, as doações recebidas para a criação do Museu do Emigrante e o sonho de tantos portugueses que esperam com entusiasmo ter um espaço para se encontrar com as lembranças da sua própria historia.


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Oradores convidados
  • CUNHA E SILVA
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  • Albertina de Sá
    Representante da Comunidade lusa em Barquisimeto Ver mais...
  • Carla Vieira
    Jornalista do Correio de Venezuela Ver mais...
  • Arelys Gonçalves
    Jornalista do Correio de Venezuela Ver mais...
  • María Gorette Rodrigues
    Economista Ver mais...
  • Antonio de Abreu
    Historiador Ver mais...


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