Encontro de Gerações
Sábado, 04 de Setembro de 2010 | 08:19 pm
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VII Encontro
Encontro histórico

Victoria Urdaneta Rengifovurdaneta@correiodevenezuela.com


Porta-vozes dos áreas educativa, associativa e política usaram da palavra para dar conta dos feitos e das metas futuras que se colocam aos sectores e instituições que representam.

O VII Encontro de Gerações, cujo tema deste ano versou sobre o papel dos clubes e centros dentro da comunidade de emigrantes, contou com a presença do primeiro-ministro português, José Sócrates, assim como dos representantes do BANIF, Diário de Notícias e Correio da Venezuela, cujas intervenções abriram evento para dar lugar aos seis oradores da noite. 50 anos do Centro PortuguêsJoão da Costa Lopes, tradutor, jornalista e professor com uma longa trajectória, centrou o seu discurso no legado deixado pelo Centro Português em Caracas, por ocasião do seu 50.º aniversário.Para Lopes, "este clube deixou uma marca no associativismo não apenas na Venezuela mas noutros países onde a comunidade portuguesa se radicou". Para além disso, é a opinião que o clube converteu-se "na expressão de um povo", porque "defendeu a portugalidade e alimentou o espírito das novas gerações". É por isso que "é difícil encontrar paralelo nas comunidades espalhadas neste país", disse aquele intelectual, que é também membro fundador do Instituto Português de Cultura e trabalha em marketing. Lopes aproveitou a ocasião para fazer um reconhecimento ao trabalho realizado por Daniel Morais, relevante figura da cultura e do associativismo, cujo legado continua vivo, ainda que já não contemos com a sua presença física. Para Lopes, "honrar a figura deste insigne português, admirado e respeitado por todos, é algo essencial na hora de falar de associativismo e especialmente do Centro Português", do qual foi fundador, promotor e presidente em diferentes períodos. Contributo para o associativismoVíctor Vieira, empresário, presidente do Centro Português Venezuelano de Guayana e da junta directiva da Federação de Centros Portugueses da Venezuela (Feceporven), desenvolveu o tema do contributo dos clubes para o associativismo.Para Vieira, "quando se fala da evolução da comunidade portuguesa deve-se reconhecer o trabalho realizado pelos centros sociais, mas não apenas da capital, também todos os que se fundaram no interior do país". Devemos fomentar o uso do idioma português em cada um dos clubes, pois na maioria não se fala o nosso idioma.Fez ainda um apelo à comunidade "para que apoiem mais os nossos clubes, já que alguns têm maior suporte de outras nacionalidades e ainda quando estas enriquecem os centros são os portugueses que devem dar o verdadeiro empurrão às nossas casas sociais".Também exortou os membros de todos os clubes para que falem em português e desenvolvam esse idioma. "Devemos manter viva a cultura, começando pelo idioma" afirmou Vieira.Importância do idioma David Pinho, coordenador do departamento de Idiomas no Centro Português e director do Colégio Fátima, centrou o seu discurso na língua portuguesa, "pois esta é essência da cultura", afirmou. Para este professor com 32 anos de experiência no ensino do idioma, "o Encontro é o cenário de um momento histórico, porque temos a oportunidade de expressar a necessidade de ter mais professores e também de ter mais apoio do Estado português". Segundo defende, outra parte importante na divulgação do idioma é a contribuição dos clubes, "pois é nestes espaços onde normalmente se realizam as aulas e se efectuam outras actividades que motivam os alunos a se envolverem activamente na cultura portuguesa", sublinhou. Pinho também deu detalhes sobre o crescimento da população estudantilnas aulas de língua portuguesa. "Actualmente estão inscritos no Centro Português 70 crianças e quase 300 adultos, aos quais se somam alunos de outros clubes e instituições, chegando às 600 pessoas" Participação dos jovensLiliana Farías, jovem fadista, professora de canto e membro do Grupo Danças e Cantares do Centro Português, tomou a palavra para "representar os jovens cuja vontade de alimentar o associativismo é enorme".Farias insistiu na necessidade de trabalhar por uma comunidade com visão de futuro. "Precisamos de uma comunidade que continue a valorizar o passado, que continue a trabalhar no presente mas que se motive cada vez mais para o futuro e a modernidade", disse. "Os jovens querem uma cultura que não se separe das raízes e que seja moderna".A reconhecida fadista também lançou um desafio aos jovens. "Somos nós que temos o desafio de ajudar a comunidade, e não apenas nos clubes, também noutras áreas". Enfatizou o valor de todos os demais jovens que não têm a possibilidade de ser sócios de nenhum clube ou aqueles que não têm centros sociais nas localidades onde vivem". A esses, motivou-os "a continuar a lutar por manter o legado português a partir da área onde se desenvolvam". Além do associativismo dos clubesCarlos Teixeira, professor, historiador e candidato à Alcaldia do estado Vargas, acentuou que "a nossa essência não se perde se assumirmos a nossa diversidade, que está plasmada no associativismo", e que deve assumir novos paradigmas, segundo defende, Teixeira.Para consegui-lo, afirmou que "deve-se reconhecer a aprendizagem que nos foi deixada pelos centros luso-venezuelanos, valorizar as instalações e a infra-estrutura destes centros sociais; e destacar o enorme potencial intelectual, profissional, económico, social e político, entre outros, que reside na comunidade lusa, para incorporá-lo no desenvolvimento das acções do associativismo dentro e fora das suas instalações", ressaltando a importância que têm aqueles que não são sócios dos clubes."Muitos luso-descendentes não estão associados a nenhum centro da nossa comunidade". É por isso que, segundo Teixeira, os clubes devem trabalhar de mão dada com o resto da sociedade, não apenas lusa, mas venezuelana em geral, tal como o faz há mais de 40 anos o bairro El Cardonal , no estado Vargas. "Imaginemos se 1% dos luso-venezuelanos fizessem diversas actividades com sentido comunitário e que isso correspondia a um plano concebido e estimulado pelas casas matrizes do associativismo existentes. Imaginemos e aceitemos o desafio", finalizou. Presença do legado lusoJosé Luís Rodrigues, advogado e administrador que exerce as funções de Alcalde de Carrizales, no estado Miranda, sublinhou "o quão benéfico será para a Venezuela e Portugal cada um dos acordos assinados por ambas as nações". Rodrigues referiu-se não apenas à comunidade portuguesa que reside no país, mas sim a todos os venezuelanos, "que poderão perceber os benefícios desses acordos já que ajudarão a desenvolver áreas fundamentais como a economia, a produção e o comércio, a cultura, entre outras áreas do país". Para além disso, instou a fortalecer a participação dos luso-descendentes. "Devemos ter cada dia maior protagonismo e em cada lugar onde trabalhemos temos que dar exemplo dos valores que os nossos pais nos inculcaram", o que constitui "o verdadeiro tesouro que herdamos deles".Rodrigues, que está há quatro mandatos como alcalde de um município com quase 100 mil habitantes (entre eles, 30 mil portugueses em todos os Altos Mirandinos), disse estar "muito satisfeito com a presença da comunidade lusa nesta região" e para além disso destacou o forte movimento comercial, "onde contamos com o apoio de empresários portugueses como mostra de solidariedade social em obras como a construção do Santuário da Virgem de Fátima" em Llano Alto.

  Homenagem a um grande madeirense

O VII Encontro de Gerações serviu de cenário para que, em nome da comunidade portuguesa que reside na Venezuela, os organizadores do evento homenageassem Agostinho Macedo, fundador de uma das cadeias de supermercados mais importantes do país, o Central Madeirense. O empresário, que assistiu ao evento acompanhado pela família, subiu ao palco e ouviu as palavras que lhe foram dirigidas por Machado Andrade, administrador do Banif. Aquele responsável explicou as razões de tão merecida distinção e iniciou a sua alocução relatando que "em 1995, uns anos antes de colocarmos em marcha o Encontro de Gerações , recordo um pequeno-almoço aqui em Caracas em que o Sr. Agostinho Macedo agradecia a nossa visita". Naquela altura, o empresário exortou a que fizesse algo para atrair a atenção e o interesse da segunda e terceira geração de portugueses, mas que também deveriam vir preparados para ouvir e falar com os membros da comunidade que vivem na Venezuela. "Recordo particularmente a forma sentida, a sua voz embargada, no momento em que nos desafiava, o que retrata a forma comovida como sente as coisas da Comunidade portuguesa", disse Machado Andrade, acrescentando que "hoje, é com orgulho que vemos que o Encontro de Gerações cumpre esses dois caminhos que sabiamente o Agostinho Macedo nos indicou". "Pelo desafio que nos lançou, pela forma como sempre acarinhou esta iniciativa e também pelo seu imenso contributo à Comunidade portuguesa na Venezuela, gostaria de deixar aqui expresso o nosso profundo agradecimento".O administrador do Banif pediu ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que fizesse as honras de entregar a placa de reconhecimento ao comerciante português. O governante entregou o prato que expressava, com a palavra "Obrigado" o que cerca de 100 mil portugueses sentem por quem lhes deu uma mão, um apoio e trabalho numa terra a que acabavam de chegar, vindos de Portugal.



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