Délia Meneses, Correio de Venezuela
Estupefacção e determinação em prosseguir os esforços na organização do "Encontro de Gerações", foram as principais reacções ao anúncio de que o presidente do Governo Regional já não participará na edição deste ano, a realizar em Caracas.
«A notícia da sua vinda tinha sido recebida com muito agrado aqui no Centro Português, em Caracas. Desconheço as razões que levaram a este recuo, mas imagino que tenham sido muito fortes», declarou Andrés Pita, presidente da instituição, «No entanto, como o Encontro de Gerações é de todos os portugueses, está na hora de trazermos até cá uma figura do continente português para presidir a esta iniciativa», disse ainda.
Recorde-se que, depois de se ter comprometido a deslocar-se a Caracas para a edição deste ano do Encontro de Gerações – uma iniciativa do Correio de Caracas, DIÁRIO e BANIF que reúne milhares de lusodescendentes de toda a Venezuela – o presidente do Governo Regional abandonou essa ideia após discordar de uma notícia deste jornal.
De Puerto Ordaz veio outra reacção. Vítor Vieira, o madeirense que preside ao Centro Luso-Venezolano de Guayana, desabafou que «nunca percebi os políticos» e lamentou a oportunidade perdida para Jardim conhecer «as segundas e terceiras gerações». Espera que os motivos da desistência sejam «de força maior», porque o «momento por que passa a Venezuela e a própria visita do governo espanhol» seriam motivos mais do que suficientes para justificar a visita de Jardim.
«Não podemos esquecer que foi o Encontro de Gerações que nos deu a hipótese de falar e que é ali que jovens portugueses podem expressar as suas ansiedades», diz ainda Vítor Vieira.
Por seu turno, Mário Pereira, ex-presidente do Centro Português e conselheiro das Comunidades Portuguesas na Venezuela, também desconhece as razões do recuo de Jardim.«Imagino que sejam muito fortes para abater todas as expectativas que já estavam a ser criadas sobre a sua visita, sobretudo porque se trata de um encontro que envolve muita gente jovem que é o futuro da emigração madeirense».
Finalmente, Marcelino Canha, presidente da Federação de Centros Portugueses da Venezuela, conselheiro das Comunidades e cônsul honorário na área de Maracay (Estado de Aragua), também manifestou a sua perplexidade. «Tendo em conta que este evento tem sido um sucesso de ano para ano e de vital importância para a comunidade mais jovem na Venezuela, onde se expõe problemas se traçam planos para o futuro, somos ouvidos e são ouvidos os jovens luso descendentes,é uma pena que o presidente do Governo Regional da Madeira não assista a um evento como este».
Por isso, considerando que o Encontro de Gerações engloba todos os portugueses, « penso que a organização devia começar a pensar em trazer alguma figura pública de certa hierarquia importante, com sensibilidade na emigração do continente e mudar um pouco o hábito de só trazerem políticos da Madeira».
4/9/2005
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