A 3ª edição do Encontro de Gerações tornou a juntar em Caracas, no passado dia 5 de Junho, os anseios e as preocupações da comunidade portuguesa radicada na Venezuela. O turno do microfone foi para as empresas, as associações, os clubes e as instituições que falaram do seu contributo para manter arreigadas as raízes lusas na terra de Bolívar. Vontade não lhes falta. Contudo, para que a força do associativismo continue a assumir muitas vezes o papel do Estado na transmissão do património cultural as novas gerações de lusodescendentes, pedem mais atenção e empenho a quem governa, a fim de que estas organizações sigam sendo testemunhos do valor da integração.
Esta foi a tónica dominante das diversas intervenções ocorridas na noite do sábado, no Centro Português de Caracas, numa iniciativa, praticamente inédita na Venezuela, criada e promovida por DIÁRIO, Banco Internacional do Funchal e Correio de Caracas. Desta vez, o evento contou com a participação de emigrantes vindos de todas as localidades da Venezuela, percorrendo até 1.100 quilómetros para debater o que foi o lema central do evento "A força do associativismo". Em frente de um auditório de várias gerações de portugueses, dois jovens luso-venezuelanos residentes em Puerto Ordaz e Yaracuy desabafaram a necessidade de as comunidades do interior do país receberem maior atenção.
A reivindicação foi unânime e subscrita, em parte, por Pedro Barros, jovem integrante do Grupo Folclórico de Puerto Ordaz: «Precisamos que os nossos representantes se ocupem e tenham maior preocupação por nós, porque a comunidade lusa está espalhada por toda a Venezuela e não só em Caracas", ressaltou.
A Federação de Centros Portugueses da Venezuela (Feceporven), na voz do seu presidente, Marcelino Canha, salientou que o governo português deveria dar um maior apoio logístico e financeiro ao associativismo das comunidades «na medida em que estas conseguem ser, apesar de tudo, o meio mais barato que o governo pode ter para incentivar uma comunidade que por muitos anos e devido ao nosso passado histórico esteve afastada de uma democracia».
Os novos actores em cena são os jovens profissionais lusodescendentes. Para eles foi a interrogação mais comprometedora da noite. Quem vai continuar com a labor que começaram os pais à frente da direcção destas associações? Este foi o repto apresentado por vários dos oradores às segundas e terceiras gerações de portugueses: manter vivas as organizações que já estão edificadas e renová-las. Para atingir este objectivo, surgiu mais um pedido. Neste caso, às direcções de cultura do governo português, para que, com os seus recursos e conhecimentos, enriqueçam os valores e tradições portuguesas que já existem na Venezuela.
ALBUQUERQUE RESPONDE
Um pedido de ajuda para levantar o Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Yaracuy, cidade existente no noroeste da Venezuela, sensibilizou a Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal do Funchal, que encerrou o evento de anteontem, deixando a garantia pública de apoiar a construção deste templo e de outras iniciativas daqueles que estão mais longe dos centros de decisão, na periferia. Albuquerque reconheceu que, assim como Portugal deve ser competente frente à União Europeia, deve também manter as ligações com as suas comunidades da diáspora. Destacou que o desafio do próximo Encontro de Gerações será saber como dar continuidade, através das novas gerações de lusovenezuelanos, ao trabalho das associações.
O embaixador de Portugal em Caracas, Bramão Ramos, no final do evento, decretou «que este 3° Encontro foi um sucesso». Ressaltou que para que o espírito associativo se mantenha vivo é fundamental que a comunidade portuguesa participe em todos os sectores da vida venezuelana, conscientes do peso e do respeito que ela tem na Venezuela. O evento foi coberto pela RTP Internacional e contou com a presença da animadora Maria Aurora, que realçou aos emigrantes: «Vocês merecem a Venezuela e a Venezuela merece-vos».
6/7/2004
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