RICARDO MIGUEL OLIVEIRA
(DN/MADEIRA)
O lar de terceira idade "Padre Joaquim Ferreira", em Caracas, deverá ser inaugurado em finais de Outubro, princípios de Novembro, acto solene que vai contar com a presença do Governo Regional, dado o seu empenho na conclusão de uma obra "notável" e que vai albergar 100 idosos.
Empenho consubstanciado numa comparticipação financeira de 600 mil euros, parte dos quais entregues, ontem, "in loco" pelo vice-presidente do Governo, João Cunha e Silva. O governante, que por sinal havia assistido ao lançamento da primeira pedra, a 10 de Junho de 2000, entregou à entidade promotora da obra, a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, um cheque no valor de 480 milhões de bolívares, o equivalente à primeira das três prestações do apoio atribuído pelo executivo madeirense.
Na ocasião, Cunha e Silva manifestou "orgulho" numa comunidade "que tem trabalhado pelos seus", gesto que entende ser importante divulgar na Madeira, até porque, pelo que viu, o projecto de apoio aos mais desfavorecidos "é notável". Por tal, agradeceu o facto "da geração do tempo que passa, pensar nos mais velhos e dar um exemplo aos mais novos". No entender do vice de Jardim,"é assim que solidifica o trabalho de uma comunidade e que os mais novos se orgulham de nós".
Deu os parabéns a quantos se envolveram na grandeza desta obra e à "dedicação em prol dos outros", revelando ainda que, o Padre Alexandre Mendonça, pároco da Missão Católica Portuguesa, tem sido uma grande conselheiro do Governo madeirense, orientando-o naquilo que é melhor para a comunidade luso-venezuelana.
A presidente da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, Cremilde de Andrade, apreciou o gesto – o facto de Cunha e Silva ter feito questão de entregar a primeira tranche de uma promessa feita – e o cheque. Quase sem palavras para descrever um sonho quase a concretizar-se, expressou a alegria colectiva, agradecendo ao Governo da Madeira, "por se ter lembrado da comunidade portuguesa na Venezuela, menos favorecida pela sorte", considerando que a dívida para com comunidade lusa está paga, através da comparticipação financeira do executivo madeirense nesta obra.
Chegou a temer o pior, que a obra iniciada em 2000 "ficasse parada e se tornasse num elefante branco". Lembra que a crise venezuelana levou a uma diminuição do montante de ajudas, na ordem dos 90%. Contudo, sempre acreditou em "gente de palavra". Foi por isso que, "quando nos disseram que esta ajuda vinha, acordamos de novo", desabafa.
O silêncio do preferido
Quando João Cunha e Silva deixou o Funchal, na manhã de sexta-feira, a caixa de mensagens do seu telemóvel deu o alerta: havia esgotado a capacidade para receber novas dedicatórias. Sem surpresa. O resultado obtido no estudo de opinião, publicado no DIÁRIO e na TSF-Madeira, mobilizou algumas hostes. E não era para menos, pois, pela primeira vez, o "delfim" agora vice de Jardim, conquistava a "pole position" naquela que tem sido denominada "corrida da sucessão".
Foi com algum espanto que constatou ser líder de preferências. Mas logo fez saber que a percentagem obtida (29%) era um mero indicador, ligado a dois anos de governação, marcados por lançamentos de projectos, ou seja, ainda sem obra à vista, inaugurações e o mediatismo daí decorrente.
Mau grado o sinal dos tempos, o vice-presidente do Governo e do PSD desvaloriza cenários, corridas e guerras políticas. É que o pós-jardinismo pode até nem passar pela sua mão. A razão tem tanto de simples, como de surpreendente. Contudo, só será revelada nos últimos meses do ano. Para já, o silêncio diz tudo. E nada.
"Testemunhos para o futuro": Três gerações de emigrantes e luso-descendentes voltaram a partilhar preocupações e projectos
Centenas de portugueses reuniram-se ontem à noite em Caracas para partilhar anseios, preocupações e projectos. Uma oportunidade proporcionada pelo DIÁRIO, pelo jornal da comunidade, Correio de Caracas, e pelo Banif, entidades organizadoras do "2º Encontro de Gerações".
Vinte e cinco oradores usaram da palavra no evento, abordando diversas temáticas actuais, que abordaremos em pormenor na edição de amanhã. Casos da questão da nacionalidade, o posicionamento da colónia lusa perante a crise, as tradições, o folclore, o ensino do português, a religião, o associativismo, entre outros, numa iniciativa que teve como lema "Testemunhos para o futuro".
Antes de participar nesta iniciativa, João Cunha e Silva deslocou-se às instalações do Correio de Caracas, jornal quinzenal que, na sua óptica, serve de elo de ligação entre a Região e a comunidade luso-venezuelana. "Creio que o vosso esforço tem sido compensado porque o produto é de muita qualidade, o que é motivo de honra para todos vós e de orgulho", confidenciou o vice ao dirigir-se aos jornalistas do Correio, incentivando-os a informar e a ser interlocutores das reivindicações da comunidade.
Fecha: 6/1/2003
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