Ricardo Miguel Oliveira
(DN/MADEIRA)
A comunidade portuguesa radicada na Venezuela assume a sua quota de responsabilidade pelo estado actual do País, pela falta de confiança instalada e pelas incertezas crescentes. O “mea culpa” fez-se ouvir na segunda sessão do “1º Encontro de Gerações”, iniciativa do DIÁRIO, Banif e Correio de Caracas, que se realizou na noite de segunda-feira, no Centro Português de Caracas (CPC).
Mau grado a prolongada demissão de participação nos lugares-chave da sociedade e do governo venezuelano, ficou o compromisso, mormente por parte da segunda geração, de uma intervenção mais activa na política local. Aliás, um militar lusodescendente fez questão de sublinhar que a grande força da comunidade tem que ser devidamente canalizada, perante a confissão, sincera, feita pela primeira geração, de que «temos gente preparada mas não fomos capazes de lançá-la nos lugares-chave desta terra».
A ideia de que nada está perdido e que importa «continuar, trabalhando», percorreu grande parte das intervenções. «Temos que ser excelentes e ter protagonismo, dar exemplo e testemunhar os princípios e valores herdados dos nossos pais», referiu o empresário Miguel da Gama, enquanto outros oradores defenderam a plena integração como forma de defesa dos interesses e direitos da comunidade.
A reunião, que juntou no CPC três centenas de pessoas e lançou desafios à unidade, foi elogiada pela maior parte dos intervenientes, tendo sido classificada como «alto acto», que contrasta com muitos anos de abandono por parte de algumas entidades com responsabilidades na diáspora, como referiu o presidente do CPC, António Alves.
Do encontro ficam ideias concretas para superar «o risco iminente de perda das raízes portuguesas e a descaracterização do modelo mental luso». A realização dos Censos à comunidade lusa, o lançamento de uma página na Internet, a reactivação da Câmara de Comércio Luso-Venezuelana, o lançamento da Federação de Empresário Profissionais, a aposta decidida na língua portuguesa, a cooperação com organismos e instituições nacionais e o desejo que a iniciativa tenha continuidade foram as principais linhas de força saídas do encontro.
5/22/2002
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