Encontro de Gerações
Sábado, 04 de Setembro de 2010 | 07:55 pm
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Associações lusas pedem maior apoio

No III Encontro de Gerações, as autoridades reconheceram a necessidade de investir mais nas comunidades da diáspora
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Delia Meneses
Correio de Venezuela


A 3º edição do Encontro de Gerações tornou a juntar em Caracas, no passado dia 5 de Junho, os anseios e as preocupações da comunidade portuguesa radicada na Venezuela. O turno do microfone foi para as empresas, as associações, os clubes e as instituições que falaram do seu contributo para manter arraigadas as raízes lusas na terra de Bolívar. Vontade não lhe falta. Contudo, para que a forca do associativismo continue a assumir muitas vezes o papel do Estado na transmissão do patrimônio cultural as novas gerações de lusos descendentes, pedem mais atenção e empenho a quem governa, a fim de que estas organizações sigam sendo testemunhos do valor da integração.

Esta foi a tônica dominante das diversas intervenções ocorridas na noite do sábado, no Centro Português de Caracas, Numa iniciativa, praticamente inédita na Venezuela, criada e promovida por DIÁRIO, Banco Internacional do Funchal e Correio de Caracas. Desta vez, o evento contou com a participação de emigrantes vindos de todas as localidades da Venezuela, percorrendo até 1.100 quilômetros para debater o que foi o lema central do evento “A forca do associativismo”. Em frente de um auditório de várias gerações de portugueses, dois jovens luso-venezuelanos residentes em Puerto Ordaz e Yaracuy desabafaram a necessidade de as comunidades do interior do país receberem maior atenção.

A reinvidicação foi unânime e subscrita, em parte, por Pedro Barros, jovem integrante do Grupo Folclórico de Puerto Ordaz: “Precisamos que os nossos representantes se ocupem e tenham maior preocupação por nós, porque a comunidade lusa está espalhada por toda Venezuela e não só em Caracas”, ressaltou.

A Federação de Centro Portugueses da Venezuela (Feceporven), na voz do seu presidente, Marcelino Canha, salientou que o governo português deveria dar um maior apoio logístico e financeiro ao associativismo das comunidades “na medida em que estas conseguem ser, a pesar de tudo, o meio mais barato que o governo pode ter para incentivar uma comunidade que por muitos anos e devido ao nosso passado histórico esteve afastado de uma democracia”.

Os novos atores em cena são jovens profissionais lusosdescendientes. Para eles foi a interrogação mais comprometedora da noite. Quem vai continuar com a labor que começaram os pais à frente da direção destas associações? Este foi o repto apresentado por vários dos oradores às segundas e terceiras gerações de portugueses: manter vivas as organizações que já estão edificadas e renová-las. Para atingir este objectivo, surgiu mais um pedido. Neste caso, às direções de cultura do governo português, para que, com os seus recursos e conhecimentos, enriqueçam os valores e tradições portuguesas que já existem na Venezuela.

Albuquerque responde
Um pedido de ajuda para levantar o Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Yaracuy, cidade existente no noroeste da Venezuela, sensibilizou a Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal do Funchal, que encerrou o evento de anteontem, deixando a garantia pública de apoiar a construção deste templo e de outras iniciativas daqueles que estão mais longe dos centros de decisão, na periferia. Albuquerque reconheceu que, assim como Portugal deve ser competente frente à União Européia, deve também manter as ligações com as suas comunidades da diáspora. Destacou que o desafio do próximo Encontro de Gerações será saber como dar continuidade, através das novas gerações de lusosvenezolanos, ao trabalho das associações.

O embaixador de Portugal em Caracas, Bramão Ramos, no final do evento, decretou “que este 3º Encontro foi um sucesso”. Ressaltou que para que o espírito associativo se mantenha é fundamental que a comunidade portuguesa participe em todos os sectores da vida venezuelana, conscientes do peso de do respeito que ela tem na Venezuela. O evento foi coberto pela RTP Internacional e contou com a presença da animadora Maria Aurora, que realçou

aos emigrantes: “Vocês merecem a Venezuela e a Venezuela merece-vos”.

Fecha (data). 18 de Junho de 2004


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