Ricardo Miguel Oliveira
(DN/MADEIRA)
Apenas 700 alunos aprendem português na Venezuela. O diagnóstico foi feito pela professora Célia Mendes, na noite de sábado passado, durante a quinta edição do "Encontro de Gerações".
Perante uma plateia composta por diversas entidades oficiais e mais de mil emigrantes portugueses, residentes em diversas cidades do País, a oradora traçou um diagnóstico severo, mas bem realista, sobre aquilo que denominou ser "a ausência do ensino do português na Venezuela". Lamentou que os reparos a este propósito sejam invariavelmente os mesmos, com a acusação de falta de livros, de apoios e de professores. Contudo, julga que a comunidade não pode ficar eternamente à espera daquilo que não tem.
Defensora de uma nova política de difusão da língua, pediu maior responsabilidade aos portugueses residentes na Venezuela, pois, entende que zelar pela língua é também cultivá-la em casa. Aliás, a professora admite que a procura pelo ensino da língua portuguesa tem aumentado de forma visível em várias universidades e instituições. Um aumento que pode ser bem mais sustentado se houver maior interesse noutros sectores. Daí que tenha lançado "uma proposta de união e de exigência", sem protagonismos, projectos pessoais e discussões desprovidas de conteúdos, e que passa pela criação de um Observatório do Ensino do Português na Venezuela.
O secretário de Estado das Comunidades ouviu os alertas. Voltou a garantir que o governo português está empenhado em dar aos portugueses que vivem fora de Portugal os mesmo direitos de cidadania que dá aos residentes no nosso País. E no caso concreto do ensino da língua lusa, ficou o compromisso de rever a forma como se processa, através da criação de um roteiro do estudo da língua no mundo, a elaborar com o apoio de privados.
De resto, António Braga salientou que saber e falar português, além das outras línguas, é ter "um instrumento acrescido" na vida profissional venezuelana, lembrando que até o presidente Hugo Chávez já fez questão de sublinhar publicamente a importância da língua no contexto da América Latina. É ainda uma oportunidade de estar com 15 milhões de portugueses em todo o mundo. E um elemento fundamental para a internacionalização das empresas, para os negócios e para a partilha de sucessos.
Ao palco do CPC subiram diversos oradores. O historiador de futebol, Jesús García Regalado e o jornalista desportivo especialista em basebol, Ricardo Maio, tal como a designer de moda Angélica Fernández, o escultor Roberto dos Santos, a actriz televisiva, Flor Elena González, a concertista Maria Figueira, os professores Célia Mendes e João da Costa e o actor de teatro, José Manuel Vieira.
Todos partilharam emoções, o orgulho em ser portugueses, o empenho na divulgação da cultura herdada e na preservação dos valores que se podem aplicar na moda, na música e nas diversas manifestações artísticas. Alguns também pediram maior empenho do Estado na promoção dos talentos lusos espalhados pelo mundo. Outros, simplesmente, emocionaram-se com esta nova oportunidade para cumprir Portugal.
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