Agostinho Silva
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As receitas dos impostos na Venezuela estão quase ao mesmo nível das do petróleo. A revelação foi feita pelo actual embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Lisboa, Lucas Rincón Romero, e serve para enquadrar a nova política fiscal do seu país, que tantos incómodos tem causado ao forte tecido empresarial português na Venezuela.
"Não é justo falar-se de portugueses, de italianos ou de outros", declara. "Somos todos venezuelanos e não fazemos tenção de descriminar quem quer que seja. Pagar impostos é o que fazem em todos os países. O que se passava é que na Venezuela não havia essa cultura. Ninguém. Havia que introduzir esse hábito e é o que se está a passar agora".
A actuação sem contemplações do SENIAT - que corresponde à Direcção de Contribuição e Impostos, em Portugal - é apenas uma das questões que o embaixador Lucas Rincón está interessado em desmistificar. Outras opções do chavismo, também na ordem do dia, serão abordadas frontalmente nas várias iniciativas do diplomata.
Rincón participa no final desta semana, em Caracas, na sexta edição do 'Encontro de Gerações', a convite da organização tri-partida (BANIF, DIÁRIO e CORREIO da Venezuela). Paralelamente, está muito empenhado nos contactos bi-laterais que o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, terá esta semana na capital venezuelana, aproveitando a deslocação também a propósito do grande evento da comunidade luso-venezuelana. Há duas semanas, o embaixador viu concretizar-se a primeira visita oficial a Portugal do vice-ministro do Executivo de Chávez com a tutela dos assuntos europeus. "Uma visita muito profícua", catalagou Lucas Rincón.
Para o 'Encontro de Gerações', o embaixador em Lisboa leva uma mensagem de optimismo e de maior aproximação entre as duas nações. Apostado em fazer tudo o que for possível para "tirar dúvidas e desfazer equívocos provocados por quem quer distorcer as coisas". Com um único propósito: "Para que ninguém tenha dúvidas sobre más intenções que não existem".
Há sete meses em Lisboa, Rincón está satisfeito com a sua nova experiência, no campo diplomático. Ele que foi o primeiro militar a alcançar o grau mais elevado nas Forças Armadas da Venezuela: general do Exército, uma promoção outorgada por Hugo Chávez em Julho de 2001. Cerca de um ano depois, Lucas Rincón viria a ter papel decisivo no contra-golpe que fez emergir Chávez do cativeiro (ver destaque).
"Somos dois países com muitas semelhanças, mas com algumas diferenças culturais e de hábitos", descreve. "A principal missão aqui é encurtar distâncias, tratar de ligarmo-nos mais ao nível social, cultural, desportivo, político, em tudo o que possa fortalecer ainda mais a nossa amizade".
Apesar das boas intenções e dos relacionamentos institucionais, a verdade é que a comunidade portuguesa vive momentos de ansiedade em relação ao futuro da Venezuela, evidenciando até estar assustada com algumas opções políticas do presidente Chávez. Lucas Rincón escuta-nos e depois sentencia: "Perante isso, só temos que nos aproximar mais. Mais diálogo ajuda a desfazer esses equívocos". Nesse aspecto, o general pode apresentar uma prova bem recente, com a visita a Portugal de Rodrigo Chaves, vice-ministro das Relações Exteriores para a Europa.
"O que se passa é que a campanha mediática que está em curso para prejudicar tudo o que se faz na Venezuela está na ordem do dia", queixa-se Rincón, que também confia que, durante o próximo ano, será possível provocar uma cimeira Chávez-Sócrates, tal como já foi anunciado por Rodrigo Chaves. Para Rincón, o incidente com o pendão onde Sócrates surgia a cumprimentar Chávez já está ultrapassado.
"Durou apenas quatro ou cinco dias de comentários. Mais nada". A outro nível, o embaixador identifica vários sectores onde poderá haver intercâmbio entre os dois países. Há áreas concretas, como a produção de energia por vias alternativas, ou no campo da segurança e do controlo do tráfico de droga. Em relação à Madeira, Lucas Rincón confirma estar mandatado pessoalmente por Chávez para concretizar o convénio com a Isla Margarita. Algo que será despoletado depois da tomada de posse de Jardim, na Madeira.
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