Ricardo Miguel Oliveira
(DN/MADEIRA)
O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, volta à Venezuela no final do próximo mês de Maio. Uma visita que visa a participação no V Encontro de Gerações, evento ao qual regressa, depois de ter marcado presença na edição realizada a 15 de Outubro do ano passado. Mas não só.
Numa antevisão desta deslocação - feita por escrito e respondendo às perguntas colocadas pelo DIÁRIO - António Braga garante que vai estabelecer contactos com as autoridades governamentais, tendo em vista o desenvolvimento das boas relações entre os dois países e que vai estimular a integração do ensino do português no sistema educativo Venezuelano. A este respeito, revelou haver uma Universidade portuguesa que tenciona aproveitar a visita para estabelecer contactos ao mais alto nível de forma a viabilizar a sua instalação na Venezuela.
DIÁRIO - Quais os motivos que o levam a regressar à Venezuela, após participação no IV Encontro de Gerações?
António Braga - É um convite irrecusável. Desde logo pelo mérito da iniciativa que congrega experiências e fomenta o diálogo inter-geracional na diáspora portuguesa. A presença portuguesa na Venezuela, com uma população estimada em mais de 500 mil pessoas, é um desafio permanente para qualquer governante, quer na acção de acompanhamento quer no contacto com as autoridades locais que reforcem a excelente relação entre os dois povos.
Por outro lado, o governo português quer sinalizar também a justa homenagem que este encontro promove aos portugueses que se têm distinguido nas diferentes áreas contribuindo de forma especial para o desenvolvimento do país que os acolhe.
DIÁRIO - Que preocupações e novidades vai partilhar com os emigrantes radicados na Venezuela?
A. B. - Assinalar a relevância da língua portuguesa no Mundo e particularmente no continente americano porquanto continuamos a estimular a integração do ensino do português no sistema educativo venezuelano. Já fui abordado por uma Universidade portuguesa que tenciona aproveitar a visita para estabelecer contactos ao mais alto nível de forma a viabilizar a sua instalação na Venezuela. Desejo também abordar com a comunidade alguns projectos que temos em vista organizar ainda este ano, de forma a dar maior projecção às comunidades em Portugal. Manteremos contactos com as autoridades governamentais para o desenvolvimento das boas relações entre os dois países.
DIÁRIO - Nesta deslocação far-se-á acompanhar de empresários e outras entidades tendo em vista a cooperação ?
A.B. - Compreenderá que o programa ainda não está estabelecido de forma a permitir dar-lhe uma resposta objectiva. Quanto aos empresários poderei é dizer-lhe que tenciono abordar com esse sector o projecto do Governo para atrair investimentos para Portugal. Há um programa já em estudo e a recolher contributos, alguns deles espero receber nessa visita, de forma a poder ser apresentado no final do ano quando do Congresso Mundial que vamos organizar.
DIÁRIO - o tema do encontro deste ano gira em torno da arte, cultura e desporto, áreas em que as novas gerações de luso-descendentes se destacam.
Como poderão preservar as raízes lusas nesses domínios e com que contributos do Governo português?
A.B. - São áreas marcantes que permitem assinalar mais intensamente a relação com a juventude, numa época de fraca mobilização dos jovens em torno das associações de portugueses. É principalmente através dos jovens que se pode antecipar uma mais sólida ligação no futuro entre as comunidades portugueses e Portugal. Sem criar dificuldades ou grupos fechados nas sociedades dos países de acolhimento é muito importante para Portugal continuar uma ligação de identificação cultural e linguística com os luso-descendentes. Numa época marcada pela mundialização da economia, isso pode ser um instrumento para ajudar na afirmação e no crescimento da economia nacional, com frutos quer para as comunidades espalhadas pelo mundo quer para o país e mesmo para a Europa.
Portugal dá passos no sentido de ajudar à consolidação desse vínculos através de múltiplas iniciativas que se materializam quer nas relações bilaterais com os países de acolhimento, desenvolvendo acordos de reciprocidade em áreas estratégicas, como na segurança social, na justiça e na educação, quer nos programas próprios dirigidos ao estimulo ao investimento em Portugal ou em parcerias com empresas portuguesas, para além do resguardo do ensino da língua portuguesa, por via de distintas modalidades ou das manifestações culturais sustentadas nos movimentos associativas. Igualmente se valorizam as iniciativas de solidariedade social no seio da diáspora através de apoios dirigidos quer às pessoas individualmente quer às associações.
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